Mais uma vez os militares do Posto da GNR de S. Pedro do Sul mostraram ser capazes de acorrer a situações em que salvar o próximo é um dever, que esta força de segurança leva a sério. Senão vejamos: no passado dia 20 de Outubro, o Cabo Celso Rodrigues e o Guarda Principal Daniel Monteiro conseguiram evitar que um homem atentasse contra a própria vida, na freguesia de S. Félix, em S. Pedro do Sul.Ou seja, ficaram a segurar, por cerca de meia hora, o dito indivíduo pelas mãos para que o mesmo não caísse do cimo de um silo - depósito de produtos agrícolas - numa altura de seis metros. Mas antes de contarmos o relato desta história, que também teve um final feliz, relembrámos que na noite de Natal de 2013, outros dois militares [os guardas principais Nuno Bento e Vítor Oliveira], deste mesmo Posto Territorial, foram a tempo de evitar que uma jovem mãe, com cerca de 40 anos, cometesse semelhante acto, mas desta feita nas águas geladas do rio Vouga, nas Temas de S. Pedro do Sul.

Como aconteceu

Eram cerca das 17 horas, quando o Cabo Rodrigues e o Guarda Principal Monteiro, por uma questão de manutenção de ordem pública, se deslocaram a uma localidade da freguesia de S. Félix. Chegando lá e depois da situação estar aparentemente apaziguada o referido indivíduo do sexo masculino, com idade compreendida entre os 30 e os 35 anos, afastou-se dos militares a correr, subiu a um silo e ameaçou saltar, mostrando clara intenção de suicídio. Os militares ao aperceberem-se da gravidade da situação não pensaram duas vezes e acorreram rapidamente ao topo do silo. O primeiro a subir foi o Guarda Principal Monteiro e no momento em que o presumível suicida escorregou, o militar conseguiu agarrar-lhe numa das mãos. Contudo, não conseguiria aguentar muito mais tempo sem a ajuda do seu colega o Cabo Rodrigues que, prontamente, subiu também conseguindo com recurso ao cinturão da sua farda prender a outra mão livre do dito indivíduo. Enquanto isso, um popular que estava no local foi buscar uma corda, no sentido de amarrá-la ao jovem e evitar que o mesmo caísse de uma altura de cerca de seis metros. Ainda de acordo com o que conseguimos apurar, os militares ficaram nesta situação de esforço constante e em posição desconfortável, por cerca de 30 minutos, até à chegada de elementos dos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul que auxiliaram na descida e na retirada do indivíduo do silo. De seguida, e após ser resgatado em segurança, o homem foi transportado para o Centro de Saúde local e depois reencaminhado para o Hospital de S. Teotónio, em Viseu. Todavia, após ser examinado verificou-se que o mesmo não sofreu mazelas. Entretanto, um dos militares também teve de receber assistência médica, o Guarda Principal Monteiro que, devido ao esforço a que esteve sujeito durante o largo período de tempo, em que esteve a segurar o indivíduo pela mão, foi transportado para o referido hospital, em Viseu, mas o seu estado de saúde não necessitou de internamento, tendo ainda nesse mesmo dia regressado ao serviço. Para o Sargento Mário Almeida, Comandante em Substituição, este acto revelou “um elevado sentido de dever, bem como um grande sentimento de altruísmo e de desprendimento pela própria vida, vertida na forma proficiente e determinada com que os militares agiram”.

“A dada altura o referido indivíduo pediu que o soltassem, porque não teria família”

Em conversa com o ‘Notícias de Lafões’, o Cabo Celso Rodrigues e o Guarda Principal Daniel Monteiro disseram que este acto nada mais foi “que o cumprimento da nossa missão e a valorização da vida humana”. Os militares deram ainda conta que a dada altura o referido indivíduo pediu que o soltassem, porque não teria família, o que não é o caso do Cabo Rodrigues e do Guarda Principal Monteiro. Contudo, os militares referiram que estes são sentimentos que “não se explicam” e que ao verem a aflição do homem, prestes a cair, nem pensaram na possibilidade de o soltar. Sobre a condição de esforço a que se mantiveram por cerca de meia hora, tanto o Cabo Rodrigues como o Guarda Principal Monteiro evidenciaram que o sacrifício foi de tal ordem que “o suor que lhes escorria pela face era em bica”, mas garantem que tudo valeu a pena e que se fosse necessário fariam tudo de novo. Depois deste relato, poder-se-ia pensar tratar-se de uma cena de um filme policial, daquelas que vimos constantemente nas telas dos pequenos e grandes écrans, protagonizadas por grandes actores. Felizmente, na vida real também é possível assistir a situações de salvamento que nos fazem arrepiar e acreditar que os ‘bons’ estão entre nós e, neste caso, em S. Pedro do Sul.

“Estes militares fizeram jus à divisa da GNR ‘Pela Lei e Pela Grei’”

Contactado o Tenente Luís Ribeiro, Adjunto do Comandante do Destacamento Territorial de Viseu, disse-nos que foi “um acto de bravura e de extrema coragem e, para nós Guarda Nacional Republicana, é um orgulho imenso podermos contar com militares que todos os dias trabalham com determinação e profissionalismo em prol da causa pública”. Ainda de acordo com o Tenente Ribeiro, “neste caso em particular, o nosso maior reconhecimento advém de saber que conseguimos contribuir para a preservação de mais uma vida humana; e estes militares fizeram jus à divisa da GNR ‘Pela Lei e Pela Grei’. O responsável disse ainda que “o Comando da Guarda sabe reconhecer as condutas dos seus militares e em acto próprio e oportuno considerará essa mesma possibilidade”.